O Filme. O Trailer. O Poster. O Video-Clip. O Actor. A Actriz. O Realizador. Cinema enquanto passatempo, paixão e vício.
publicado por Fernando Oliveira | Domingo, 18 Maio , 2008, 21:27

publicado por Fernando Oliveira | Domingo, 18 Maio , 2008, 21:19
MY BLUEBERRY NIGHTS, 2008 - WONG-KAR WAI
Começo este texto por dizer que não conheço a obra anterior de Wong-Kar Wai. Nem sei se é assim que se escrever o nome dele. Agora que já pus toda a gente desse lado a pedir um auto-de-fé à minha pessoa e a ditar sentenças inteligentes do tipo: “só vê vê cinema americano, é só comercial que lhe interessa, nem sequer sabe quem é o grande cineasta experimental romeno Nkinof Andriu”, servindo isto como caução para toda a gente que quer falar sobre Cinema e não sobre filmes...
Pois bem, voltando a Wong-Kar Wai, escrevi no inicio que não conheço a obra deste realizador, no entanto, o zum-zum que o rodeia em todas as revistas da especialidade e sites dedicados ao cinema levaram-me a querer ver por mim próprio o porquê de tão boas indicações.
Comecemos então por falar do filme. Elizabeth é uma jovem cuja sorte ao Amor lhe parece ter escapado. Depois de uma separação tumultuosa, acaba por passar as noites num café, a comer tarte de mirtilo e a falar sobre a Vida, o Amor e Tudo o Mais com o gerente, também ele esquecido por Cupido algures no grande percurso da Humanidade. Uma noite, Elizabeth parte. Faz uma grande viagem por toda a América onde encontra outras personagens também desgostosas com a sorte que o Amor lhes reservou e acaba também por se encontrar a si própria.
Este filme tinha muito para falhar. Primeira incursão no Cinema de uma cantora (essas coisas não costumam resultar muito bem) e como co-protagonista Jude Law (também conhecido como Michael Caine Wannabee). No entanto é mesmo este par que acaba por surpreender e oferecer algumas das melhores cenas do filme. De facto, é o rapport que ambos os actores conseguem estabelecer um dos pontos fortes a destacar nesta primeira incursão de Wong no cinema falado em inglês. Law e Jones apresentam-se aqui como grandes surpresas, ele por contrariar o estereótipo de ser apenas uma cara bonita e conseguir impressionar como ex-maratonista que decidiu deixar de correr até que alguém o apanhe e ela, que, sendo esta a primeira viagem ao mundo do cinema, consegue disfarçar muito bem potenciais falhas. É verdade que a câmara gosta muito de Norah Jones, basta comprovar vendo alguns dos clips das musicas da filha de Ravi Shankar.
O estilo filmico de Wong é qualquer coisa. De notar a tentativa de colocar o espectador no lugar de voyeur nas cenas passadas em Nova iorque, sempre com algo entre a objectiva e os dois protagonistas no interior do café. Aqui também a referir o enorme vigor cromático que o realizador empresta a cada plano, quase como se Nova Iorque fosse uma versão ocidentalizada de Hong Kong, plena de neons e vermelho escarlate. Deliciosa também a brincadeira com a câmara de vigilância do café, que de acordo com a personagem de Jude Law, se “tem sentido mal”, enquanto nos coloca nesse preciso ponto de vista. Querem melhor reflexão sobre os males que afectam o mundo do um simples “mal-estar” que nos faz ver a imagem desfocada e tremida, sem nos conseguirmos focar naquilo que verdadeiramente importa.
Este não é, no entanto, um filme de apenas dois actores. Há também que falar de de David Strathairn, Natalie Portman e Rachel Weisz. Se de Weisz já só esperamos o melhor, aqui a interpretar muito bem a variação do amor ainda adolescente, que terá surgido porventura demasiado cedo e, desse modo, não pode ser devidamente apreciado, Strathairn começa a revelar como um dos actores americanos mais sólidos dos últimos anos. Aqui interpreta o desgosto, a dificuldade em largar aquilo que já não nos quer. É a auto-destruição em forma lenta, sempre um dia mais próximo do fim, sempre a tentar a redenção onde ela não existe. Já Natalie Portman é aqui a personagem menos aproveitada e, porventura, mesmo mais irritante. É a menina mimada que faz de tudo para ter a atenção do pai, mesmo quando não a consegue da maneira que pretende.
Visualmente brilhante, interpretações também acima da média, My Blueberry Nights destaca-se do resto da manada fílmica também pelo enorme cuidado com a direcção artística (delicioso, o vaso onde Law guarda as chaves) e com o som do filme. E sim, quero ver mais filmes com Norah Jones, a câmara gosta dela e isso é meio caminho andado, mas com mais algum trabalho pode estar ali mais uma boa actriz.

publicado por Fernando Oliveira | Domingo, 18 Maio , 2008, 21:14
IRON MAN, 2008 (JON FAVREAU)
Tony Stark é um génio. Tony Stark é dono de uma empresa multimilionária. Tony Stark é um Playboy. Tony Stark acaba de se aperceber que as armas que a sua empresa fabrica são usadas contra inocentes e contra o exército norte-americano. Pode parecer a premissa para um filme bélico-moralista com Steven Seagal ou Dolph Lundgren no principal papel, mas Homem de Ferro é muito mais que isso. Para já é a adaptação ao Cinema de um dos heróis de BD da Marvel e, apesar de isso não significar desde já uma caução de qualidade indíscutivel, é um bom principio.
Vejamos então a situaçãop concreta de Stark: Playboy multimilionário, dono de uma empresa de armamento e génio da invenção. É capturado no Afeganistão por um grupo terrorista e vê como as armas que constrói são utilizadas pelos inimigos que deveriam combater. A partir daqui algo se altera na sua consciência, Stark passa a querer um mundo mais justo. Como já escrevi em cima, este momento narrativo poderia deitar todo o filme a perder, ao transformar esta película naquilo que tanto odiamos, “o filme que tenta ser mais do que é”, sentença por vezes atirada a torto e a direito quando não temos muito mais para dizer mas não queremos deixar de passar a ideia de quem percebe muito disto. Aqui o realizador tem a perfeita consciência que está a trabalhar num filme baseado num comic-book e, apesar de ter este ponto do “lutar pelo lado correcto” e “a experiência alteradora da percepção exterior”, que já estava no material de origem, Iron Man nunca deixa de ser um objecto de entretenimento, consciente que tem de apelar à boa disposição do publico, cativá-lo para gerar uma empatia com as personagens principais e, acima de tudo, ter aqueles picos de acção tão comuns ao blockbuster de origem norte-americana.
Os heróis da Marvel são personagens torturadas, empurradas para situações desagradáveis que não desejavam. Tony Stark pretendia apenas continuar o seu estilo de vida bon-vivant mas tem uma coisa que o incomoda, uma consciência. Como consumidor adolescente dos comics da Marvel, esta característica parece-me comum à grande maioria das criações desta marca. Se repararmos nos heróis mais emblemáticos já passados ao ecrã (Homem-Aranha; X-Men), são sobretudos pobres coitados que se metem em algo que os ultrapassa, torturados por emoções bem humanas, ou têm capacidades que os obrigam a tomar atitudes para corrigir injustiças, fruto de uma moral que todos gostaríamos de seguir e encaramos com aquilo que é correcto (os mais fortes protegem os mais fracos). Quando se fala em “filme de super-heróis realista”, penso que terá de ser por este lado que temos de procurar o realismo. Não por um uso de efeitos visuais que pareça mais próximo daquilo que encontramos do dia-a-dia ou por uma fuga ao Fantástico como elemento visual, mas por um desenvolvimento de personagens humanas, com quem o espectador se possa relacionar. Afinal de contas, quem não se identifica os problemas do estudante Peter Parker enquanto pobre coitado a quem a míuda dos seus sonhos não presta a devida atenção.
Voltando ao filme que me motivou a escrever este texto, é inevitável no entanto, não enaltecer o grande trabalho visual da equipa de produção de Homem de Ferro. É dificil não aceitar a maior parte dos efeitos visuais, apesar da sua grande dose de espectacularidade, como algo de orgânico, algo autêntico, que poderia muito bem acontecer no “mundo real”. O senão deste ultimo ponto é a grande batalha final entre os dois antagonistas mas, não se pode ter tudo...
Downey Jr é Tony Stark e pode dizer-se que é muito bem aproveitado para este papel, com a sua própria experiência como alcoólico e dependente de drogas a valer-lhe para encarnar a face mais séria de Stark, mas também para personificar a parte mais festeira da personagem. Parte festeira que dura apenas alguns minutos, depois de uma decisão de montagem muito inteligente de Jon Favreau. O realizador agarra o espectador pelos colarinhos logo no inicio da película, mostrando primeiro a captura de Stark pelo grupo terrorista e só depois mostrando em flashback aquilo que era a vida do multimilionário.
É um bom início para a época de Blockbusters deste ano, apesar de não atingir o nível, em termos de filmes de super-heróis, de um Homem-Aranha 2, este sim, o valor pelo qual se medem todas as aventuras dos quadradinhos transpostas ao grande ecrã.

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