O Filme. O Trailer. O Poster. O Video-Clip. O Actor. A Actriz. O Realizador. Cinema enquanto passatempo, paixão e vício.
publicado por Fernando Oliveira | Quinta-feira, 07 Fevereiro , 2008, 18:51
Então é isto que eles fazem quando os guionistas estão em greve...






publicado por Fernando Oliveira | Quinta-feira, 07 Fevereiro , 2008, 16:41
Um autarca do Alentejo é pressionado para aprovar um resort de luxo no local onde estão sobreiros com algumas décadas de existência. Os promotores da iniciativa tentam várias vezes sem sucesso até que avançam com o armamento pesado: a mulher de sonho. Meireles acaba por sucumbir ao encanto da sereia e assinar os papeís.
Gostei do filme. Digo-o sem qualquer preconceito pseudo-intelectual de critico que pretende passar um sério apenas fazendo criticas negativas. É certo que Call Girl tinha muito potencial para ser um verdadeiro policial, um film noir português, mas o facilitismo em que cai não é mau demais para se sair da sala de cinema mal disposto e a pensar no futuro do cinema português como algo apenas demasiado criptico e a almejar, acima de tudo, a mensagem. Pois bem, a mensagem está nos filmes mais insuspeitos de a conterem e, normalmente está presente apenas no subtexto, apenas acessível a quem a quiser procurar. É o caso de “Anatomia de um Crime”, mas isso é tema para outra conversa... O que assistimos no Cinema Português é uma tentativa desesperada e demasiado esforçada de passar a Mensagem, esquecendo coisas tão insignificantes como a narrativa, os actores, a iluminação. Não é o caso de Call Girl. Apesar de a estória ser subaproveitada, não deixa de ser bem construida. E com um tema caro aos portugueses: a tão actual corrupção dos funcionários publicos. Aqui o corrompido é o até à altura impoluto Meireles (Nicolau Breyner, como sempre, em grande forma) por um construtor civil (que se virá a revelar algo mais do que isso durante o filme), ávido de construir uma estância de luxo, com golfe, onde agora estão sobreiros (olá sr.s Nobre Guedes e Telmo Correia). A estória soa verdadeira.
Entra em acção a bela Maria, mulher perfeita, o ideal para seduzir o desgraçado Meireles e obrigá-lo, sem que ele se aperceba, a cair exactamente onde os corruptores queriam. Soraia Chaves, a campanha publicitária na tv foi delineada à volta dela e também o filme se foca mais nesta personagem, a Maria prostituta de luxo.

Pode estar uma boa actriz em Soraia Chaves, consegue manter uma boa quimica com Nicolau Breyner. É certo que existem exageros neste filme, as cenas de sexo são descabidas e a raiar o soft-core, talvez um pouco mais de bom gosto fosse necessário para não deixar o filme descambar para o mediatismo e imediatismo de mostrar os seios da Soraia Chaves.
Mas há outra personagem central: Madeira, o policia jovem interpretado por Ivo Canelas. No gabinete desta personagem encontramos um poster de Cães Danados e aqui encontramos a filiação deste Call Girl: o cinema americano. De facto, todos os diálogos parecem saídos de um policial americano. É bom ou mau? Parece ser bom, já que não deixam de parecer com algo que aquelas personagens diriam se confrontadas com situações semelhantes, principalmente o chorrilho de asneiras que sai da boca de toda a gente.

Temos bons actores de cinema. Este filme mostra um pouco do que pode ser uma industria cinematográfica portuguesa: Ivo Canelas (o policia com mais tomates que miolos), José Raposo (convincente como policia mais velho que tenta por juizo no companheiro), Joaquim D'Almeida (o empreiteiro sem escrupulos), Virgilio Castelo (o ministro yuppie, mais preocupado com as contas) e Raul Solnado, num pequeno, mas muito sumarento papel de comunista inveterado cujo desejo ultimo era ser enterrado com uma bandeira da foice e martelo por cima do caixão.
Acaba por se perder numa campanha publicitária sensacionalista e algumas cenas descabidas, mas é extremamente divertido enquanto objecto que pretende agradar ao publico sem no entanto o tratar como um cidadão com dificuldades ao nível dos processos cognitivos.

publicado por Fernando Oliveira | Quinta-feira, 07 Fevereiro , 2008, 16:30
Um Monstro do tamanho de um arranha-céus ataca Nova Iorque. Pessoas correm. Pessoas morrem. Pessoas são salvas (algumas).

Cloverfield esteve envolvido numa névoa de mistério até bem perto da sua estreia. Tudo para que os “habitantes da internet” tivessem algo para fazer enquanto o mais recente patch para o Warcraft não ficava disponível. Na verdade foi isto que aconteceu: O trailer apareceu antes da exibição do Transformers apenas com a data de estreia e o nome do produtor, JJ Abrams. Para muitos dos fãs de Alias e Lost, o nome JJ Abrams envolvido num projecto cinematográfico com explosões, gente a correr e um mistério por resolver deve ser o equivalente a uma noite de sexo louco com a Gisele Bundchen, Scarlett Johansson e Soraia Chaves. Ao mesmo tempo. O secretismo que envolveu a produção e mesmo a campanha de marketing viral é o grande segredo para o sucesso do filme. De outra forma, Cloverfield seria visto como aquilo que realmente é: Uma cópia de outros filmes do género, com o twist de vermos a acção através de uma câmara encontrada depois de os factos documentados terem ocorrido. Mas espera aí, onde é que eu já também vi isto? Ah pois, Blair Witch. E quem é que ainda fala de Blair Witch como um grande momento da história do Cinema? Nínguem? Precisamente. Acho que posso resumir este filme numa frase: Godzilla “meets” Blair Witch como se tivesse sido realizado por um Michael Mann epiléptico. Com o devido respeito ao sr. Mann...
Mas agora que já tratei de destruir de forma gratuita o filme, acho que posso falar de aspectos concretos.
Começamos por ver imagens gravadas anteriormente, de dois protagonistas, que nos estabelecem um passado idílico, e que voltarão ao ecrã sempre que for necessário estabelecer uma ligação romântica entre os dois (já que os actores não o conseguem fazer sozinhos). Depois saltamos imediatamente para a festa de despedida de um deles que acaba de arranjar um emprego no Japão. Durante esta festa conhecemos algumas das pessoas mais vazias que já habitaram uma tela de cinema. Nada a dizer, perfis de MySpace com pernas como diz o Peter Travers, uma inanidade atrás de outra. Até que por fim aparece o Monstro. Ou melhor, ouvimos o roncar poderoso dele. E quão poderoso é. Mas quando tinhamos passado os ultimos dez minutos num estado de sonolência induzido pela profundidade de diálogos anteriores, qualquer coisa nos acordava. Segue-se explosão-pessoas a correr-destruição-mimetização da paisagem urbana de NY a 11 de Setembro de 2001. Abrams disse que pretendia exorcizar alguns dos fantasmas do 11 de Setembro com este filme, pelo menos consegue imitar muito bem as imagens das cadeias informativas nesse dia e o efeito é realista, assim como o desnorteio das personagens principais face a algo que ataca a cidade e que não conseguem identificar.

A partir daqui Cloverfield assemelha-se mais a um Survival do que a um Monster Movie. É certo que o monstro está lá, convenientemente escondido pela noite e por alguns prédios, deixando o espaço para a imaginação dos espectadores trabalhar, mas a estória que seguimos é a de quatro personagens que correm para se salvar e a outra que está presa num prédio. Nesta corrida pela vida, Cloverfield convida-nos a entrar na aventura, quase na primeira pessoa uma vez que o olho da câmara nos projecta o que vemos na tela, mas o positivo esgota-se aqui. Se é verdade que mantém um ritmo elevado, também é verdade que o mantém à custa de uma pirotecnia exagerada, manipulando as emoções do espectador quando convém lembrar uma ligação romântica pouco credível e agitando a câmara de um lado para o outro, atingindo o nível da náusea muito cedo. É certo que este trabalho de câmara é propositado e atribui realismo à coisa, mas há limites para aquilo que estou disposto a aguentar numa sala de cinema.


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