O Filme. O Trailer. O Poster. O Video-Clip. O Actor. A Actriz. O Realizador. Cinema enquanto passatempo, paixão e vício.
publicado por Fernando Oliveira | Terça-feira, 25 Setembro , 2007, 22:52
Este já não é propriamente o post número 100, mas serve para o comemorar. E que melhor forma de o fazer que com... Mais Daily Show?

Buck Henry é o co-criador (com Mel Brooks) de uma das melhores sitcom de culto: Get Smart, que em Portugal recebeu o assassino título de Olho Vivo. Recentemente apareceu no Daily Show com o objectivo de dar alguma visão alargada sobre os acontecimentos que vão afectando o mundo da política norte-americana. Aqui está ele, na sua segunda partiicipação como "Perspectivista Histórico" a falar sobre as prim+arias presidenciais nos estados de Iowa e New Hampshire.


publicado por Fernando Oliveira | Terça-feira, 25 Setembro , 2007, 20:22
THE BOURNE ULTIMATUM
De: Paul Greengrass
Com: Matt Damon, David Strathairn, Joan Allen, Julia Stiles
EUA, Cor, 2007, 111 min.

Jason Bourne continua vivo, mesmo depois da frenética perseguição automóvel que quase o matou no final do segundo filme, e agora vai finalmente regressar ao seu país natal para descobrir quem era antes de perder a memória.

Há cerca de dois meses vi uma entrevista a Matt Damon em que lhe elogiavam o facto de esta terceira parte da trilogia Bourne não desiludir. Damon respondeu “We're just happy it doesn't suck!”. A resposta bem-humorada do actor é talvez sintomática da qualidade que sentiu que o filme viria a ter, ainda durante as filmagens do mesmo. E se, de facto, pressagiou um sucesso comercial e de crítica, não errou em nada. “Ultimato” prometia muito na sua campanha publicitária e trailers e não desilude. Tudo o que estava nos dois capítulos anteriores mantém-se mas, ao contrário do que seria de esperar numa sequela, a frescura ainda lá está e a surpresa ainda é possível. Nomeadamente numa longa perseguição nas ruas apertadas de Tânger, onde toda a técnica do realizador Paul Greengrass é aplicada de forma magistral no que se torna a peça central do filme e deixa o espectador sem fôlego e, simultaneamente, a pedir mais. Acompanhada por uma banda sonora dinâmica que apenas ajuda ao tom frenético e visceral da luta que termina esta sequência, que como nenhuma outra até hoje, iguala a perseguição automóvel de John Frankenheimer em “Ronin”.

O crítico Richard Corliss, da Time, referiu-se aos movimentos de câmara aparentemente erráticos de Greengrass como “Parkinson”, mas é esta característca que confere tanto realismo a um filme que poderia muito facilmente deambular para o mundo das proezas com duplos e câmara fixa a observar a acção ao longe. A sensação de movimento transmitida ao espectador não é apenas um ponto forte neste filme, é O ponto forte.
À terceira vez, Matt Damon mantém o registo que já tinha encontrado nas outras aventuras de Jason Bourne, mas agora acompanhado por um David Strathairn em grande forma, personificando aqui as loucuras securitárias desproporcionadas para com os mais comuns cidadãos no mundo actual. Já no filme anterior a personagem de Joan Allen se revelava como a possível ligação e ajuda de Bourne na sua busca das memórias perdidas; neste ultimo capítulo ela será essencial enquanto se antecipa às jogadas de poder dentro da CIA e dá a Jason as armas necessárias para descobrir a verdade. Verdade, que no final de contas, não era bem aquilo que ele esperava, mas não vou revelar mais.

Eléctrico, mas capaz de prender o espectador ao ecrã com personagens reais, esta é a terceira parte que redime os tiros ao lado que povoaram o resto do Verão.

publicado por Fernando Oliveira | Terça-feira, 25 Setembro , 2007, 20:20
Aqui fica o genérico inicial, que tanto louvei alguns posts atrás. Gravado numa posição lateral e com muita tremideira, mas acho que dá para perceber o que quis dizer atrás.



publicado por Fernando Oliveira | Terça-feira, 25 Setembro , 2007, 19:59
SUPERBAD
De: Gregg Mottola
Com: Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse, Seth Rogen.
EUA; 2007; Cor; 113 min.

Seth e Evan são amigos de longa data que agora enfrentam os ultimos dias do secundário já com a certeza de partirem para universidades diferentes. Fogell é também seu amigo e o único mais “geek” que eles os dois. Todos os três estão agora empenhados em arranjar alcóol para uma ultima festa e, deste modo, conseguirem impressionar as raparigas com as quais não conseguem comunicar de forma normal.
Lembram-se do secundário? De como tudo era estranho e como os rapazes falavam com os membros da sua “tribo” e as raparigas faziam o mesmo? O problema não era querer falar com elas, o problema era saber o que dizer, impressionar.
Seth Rogen e Evan Goldberg escreveram a base para este argumento quando tinham treze anos e o facto nota-se. Sim, o humor é muitas vezes infantil, mas o facto é que é essa a intenção deste filme: piadas quase escatológicas, sem nunca atingir os níveis de alarvidade de outros do género teen comedy. De facto, há aqui bastantes exemplos de piadas que podem revoltar muito boa gente de gosto mais elevado, mas o objectivo de entretenimento de massas é bem sucedido, com qualidade assinalável, até pela composição das personagens: três pobres desgraçados, ignorados por toda a “malta fixe” da escola o que lhes atribui uma qualidade de pessoas reais em situações de comédia, uma marca muito presente nos projectos do Judd Apatow.
Pessoas reais que não deixam de ter, no entanto, a sua faceta de exagero. Fogell/McLovin é uma personagem que só se poderia ver num filme mas, no entanto, é impossível não deixar de sentir uma certa compaixão, ou até mesmo ligação com o atrapalhamento genuíno e desconforto ao lidar com outras pessoas. Destaque, então, para o estreante Christopher Mintz-Plasse.

Mas voltemos ao inicio. O inicio do filme, para ser mais preciso. O genérico inicial estabelece logo nos primeiros 60 segundos o que será o tom do filme: diversão. Sem dúvida ajudado pela música Funk dos Bar-Kays e o tema “Too hot to stop”, este primeiro contacto do espectador é mais do satisfatório ao apresentar-lhe o que pretende ser afinal este Superbad.
Infelizmente as ultimas comédias que nos têm chegado dos EUA afinam pelo mesmo diapasão moralista (Evan, Licença Para Casar), algo que este filme consegue esconder muito bem. O moralismo pode até lá estar (a necessidade de crescer e aceitar as mudanças), mas é bem escondido numa cena final com muito significado e propensa a interpretações demoradas sobre as relações entre sexo masculino e feminino.

Rodado e estreado depois de “Knocked Up” (outro projecto da dupla Apatow/Rogen), Superbad chegou ao nosso país antes do primeiro, servindo assim como uma espécie de aperitivo para primeiro. Honesto, sem quaisquer intenções para lá da comédia bem-humorada, é um filme a rever, e a comprar assim que surgir edição em dvd.

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