O Filme. O Trailer. O Poster. O Video-Clip. O Actor. A Actriz. O Realizador. Cinema enquanto passatempo, paixão e vício.
publicado por Fernando Oliveira | Segunda-feira, 26 Março , 2012, 18:22

Margaret Thatcher foi primeira-ministro de Inglaterra de 1979 a 1990. Filha de um merceeiro, presenciou os bombardeamentos Nazis na Segunda Guerra Mundial e teve uma subida a pulso no masculino mundo da política britânica. Os seus mandatos ficaram marcados por uma determinação obstinada e quase cruel que lhe valeram o epíteto de “A Dama de Ferro”. É, a par de Ronald Reagan, responsável pela implementação de políticas económicas de liberalização de mercados que originaram o que consideramos como Capitalismo Moderno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Sabemos hoje que Margaret Thatcher é uma das responsáveis indirectas pelo cataclismo financeiro e social que nos assola desde 2008, através de políticas orientadas para a desregulação de mercados financeiros e a crescente destruição do estado-providência construído no pós-Segunda Guerra. No entanto, estes episódios são apenas aludidos brevemente em toda a duração do filme. Poderíamos estar perante uma opção ideológica da realizadora Phillyda Loyd, mas não nos parece que esse seja o caso.

Meryl Streep é fantástica. As recentes cerimónias de entregas de prémios da indústria cinematográfica têm-na sagrado como “o” ponto positivo do filme e não se enganam. Os mais de quarenta anos de interpretação de Maggie que lhe couberam em responsabilidade transformam-se em momentos hipnotizantes em que a actriz se perde por completo nos maneirismos, no excelente trabalho de caracterização e ainda na voz de Margaret Thatcher. Infelizmente o investimento visual no filme passa por pouco mais que a maquilhagem em Meryl Streep. Se é verdade que este ganhou mesmo um Oscar, não deixa de ser verdade que os planos de reacção a manifestações se tornam repetitivos pela incapacidade de as reproduzir para além das imagens de arquivo, assim como a montagem que pretende representar os anos de ouro do consulado Thatcher (a dança com Reagan e Mandela) se torna transforma em algo absolutamente patético e revelador da má opção de abraçar a vida inteira da biografada como matéria de trabalho.  A verdade é que este biopic segue o caminho de muitos estreados em anos recentes sobre figuras mediáticas dos últimos anos do século XX, como “A Raínha” e “Frost/Nixon”, mas não da maneira que esperaríamos. Enquanto estes dois optam por tomar apenas uma parcela particularmente relevante de uma vida para a apresentar, A Dama de Ferro acaba por se dispersar em vários episódios. Esta opção é mantida através das recordações da actual Thatcher, enquanto mantém um longo diálogo com o fantasma do marido. Tendo em conta a reputação inabalável da ex--primeiro-ministro, a escolha de uma via humanizante não deixa de ser desconcertante. Mas talvez ainda mais estranho seja a forma como Margaret Thatcher nos é, a dada altura, dada como exemplo do feminismo, passando a ideia de que na mente da argumentista Abi Morgan basta apenas ser-se uma mulher poderosa num mundo de homens para inspirar jovens, não havendo qualquer pensamento ou ideologia que a sustente. Uma inquietação que nos acompanha muito para além do final da película: afinal qual era a ideologia Thatcher? É-nos dada em pinceladas muito largas, quase tão caricaturais como a representação que cabe aos seus opositores políticos – todos homens, todos com um discurso inflamado.

Tal como Maggie diz ao seu médico que hoje em nos preocupamos demasiado com sentimentos e não com pensamentos, também nos parece que este “A Dama de Ferro” se preocupa demasiado em tentar passar a estória de uma mulher vitoriosa num mundo de homens e se esquece de qual foi o papel que Thatcher verdadeiramente representou no mundo actual.

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