O Filme. O Trailer. O Poster. O Video-Clip. O Actor. A Actriz. O Realizador. Cinema enquanto passatempo, paixão e vício.
publicado por Fernando Oliveira | Terça-feira, 25 Setembro , 2007, 20:22
THE BOURNE ULTIMATUM
De: Paul Greengrass
Com: Matt Damon, David Strathairn, Joan Allen, Julia Stiles
EUA, Cor, 2007, 111 min.

Jason Bourne continua vivo, mesmo depois da frenética perseguição automóvel que quase o matou no final do segundo filme, e agora vai finalmente regressar ao seu país natal para descobrir quem era antes de perder a memória.

Há cerca de dois meses vi uma entrevista a Matt Damon em que lhe elogiavam o facto de esta terceira parte da trilogia Bourne não desiludir. Damon respondeu “We're just happy it doesn't suck!”. A resposta bem-humorada do actor é talvez sintomática da qualidade que sentiu que o filme viria a ter, ainda durante as filmagens do mesmo. E se, de facto, pressagiou um sucesso comercial e de crítica, não errou em nada. “Ultimato” prometia muito na sua campanha publicitária e trailers e não desilude. Tudo o que estava nos dois capítulos anteriores mantém-se mas, ao contrário do que seria de esperar numa sequela, a frescura ainda lá está e a surpresa ainda é possível. Nomeadamente numa longa perseguição nas ruas apertadas de Tânger, onde toda a técnica do realizador Paul Greengrass é aplicada de forma magistral no que se torna a peça central do filme e deixa o espectador sem fôlego e, simultaneamente, a pedir mais. Acompanhada por uma banda sonora dinâmica que apenas ajuda ao tom frenético e visceral da luta que termina esta sequência, que como nenhuma outra até hoje, iguala a perseguição automóvel de John Frankenheimer em “Ronin”.

O crítico Richard Corliss, da Time, referiu-se aos movimentos de câmara aparentemente erráticos de Greengrass como “Parkinson”, mas é esta característca que confere tanto realismo a um filme que poderia muito facilmente deambular para o mundo das proezas com duplos e câmara fixa a observar a acção ao longe. A sensação de movimento transmitida ao espectador não é apenas um ponto forte neste filme, é O ponto forte.
À terceira vez, Matt Damon mantém o registo que já tinha encontrado nas outras aventuras de Jason Bourne, mas agora acompanhado por um David Strathairn em grande forma, personificando aqui as loucuras securitárias desproporcionadas para com os mais comuns cidadãos no mundo actual. Já no filme anterior a personagem de Joan Allen se revelava como a possível ligação e ajuda de Bourne na sua busca das memórias perdidas; neste ultimo capítulo ela será essencial enquanto se antecipa às jogadas de poder dentro da CIA e dá a Jason as armas necessárias para descobrir a verdade. Verdade, que no final de contas, não era bem aquilo que ele esperava, mas não vou revelar mais.

Eléctrico, mas capaz de prender o espectador ao ecrã com personagens reais, esta é a terceira parte que redime os tiros ao lado que povoaram o resto do Verão.

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