O Filme. O Trailer. O Poster. O Video-Clip. O Actor. A Actriz. O Realizador. Cinema enquanto passatempo, paixão e vício.
publicado por Fernando Oliveira | Quarta-feira, 27 Dezembro , 2006, 22:27

FARCE OF THE PENGUINS
EUA, 2007
Real: Bob Saget
Vozes: Samuel L. Jackson, Lewis Black, Bob Saget, Christina Applegate, Whoppi Goldberg

Jimmy e Carl são dois pinguins-imperador prestes a iniciar a viagem que os vai levar até ao desejado território de acasalamento. Durante a viagem vão falar de coisas importantes: a procura do amor verdadeiro, a auto-confiança, o facto de não conseguirem coçar o próprio rabo e entrar numa acesa discussão com o narrador do filme (Jackson).

Depois do sucesso planetário que foi A Marcha dos Pinguins, documentário sobre a migração anual do Pinguim-Imperador para cumprir a obrigação de perpetuar a espécie, era uma questão de tempo até que alguém resolvesse gozar com o filme. Bob Saget foi quem teve o arrojo de o fazer. Saget é um comediante norte-americano com pouca projecção internacional, mas bastante reconhecimento doméstico, fruto de uma coisa dos anos oitenta chamada “Full House” (nada a ver com a nossa Casa Cheia”) e depois com um outro programa chamado “America's Funniest Home Videos” (alguém pediu um Vírgilio Castelo?).
Em termos fílmicos, esta farsa dos pinguins não traz nada de novo. Saget aproveita as imagens do filme sério e acrescenta diálogos aos animais. Apenas a notar a audácia de acrescentar imagens de outros filmes quando é necessária uma referência ao mundo exterior à Antárticta.

O que torna o filme divertido é a humanização dos pinguins. Todos eles têm personalidades. Carl é o neurótico, traumatizado por relações falhadas no passado e com duvidas existenciais que, normalmente, assaltam apenas as criaturas que caminham em duas pernas. Jimmy é o melhor amigo que todos têm, confiante e com capacidade de ajudar Carl quando este mais precisa. Aparecem ainda Marcus, o “afro-pinguim” avantajado e Sidney, aquele que ainda não saiu do armário... Ainda a referir a auto-ironia que percorre todo o filme, do inicio ao fim, presente principalmente quando as duas personagens principais interrogam o narrador do filme sobre o facto de não terem nenhuma caracteristica que os distinga, tornando-se assim, iguais, mesmo aos olhos dos próprios...

No entanto, sendo a Comédia um território instável (gelo fino, arrisco a piada), é inevitável achar que tanta piada escatológica e sexual é demais. A duração é também demasiado longa, uma abreviação no período da viagem seria desejável para contribuir para um ritmo mais agradável.
Analisando friamente, “Farce of the Penguins” sofre pela falta de originalidade visual, pelo exagero de conteudo restrito e por um ritmo desigual, mais lento no meio da história.

Não deixo no entanto de referir que o filme é bom se o espectador procurar apenas uma hora e picos de divertimento sem ter de se esforçar muito.

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