O Filme. O Trailer. O Poster. O Video-Clip. O Actor. A Actriz. O Realizador. Cinema enquanto passatempo, paixão e vício.
publicado por Fernando Oliveira | Sábado, 06 Janeiro , 2007, 16:51
BABEL
EUA, México; 2006
Cor; 142 min
Real: Alejandro González Iñarritu
Com: Adriana Barraza, Boubker Ait El Caid, Brad Pitt, Cate Blanchett, Rinko Kikuchi


Quatro estórias. Quatro dramas tocam-se numa Babel que já se recusa sequer a tentar compreender o que o outro está a tentar dizer. Á terceira longa-metragem Alejandro Iñarritu começa a construir uma reputação de cineasta deprimente. Não estando em causa a enorme qualidade deste “Babel”, este é um facto que pode começar a atrapalhar a carreira do mexicano, caso ele decida alguma vez fazer um filme mais leve.


A primeira grande qualidade que salta à vista neste filme é a fotografia. Impecáveis as paisagens do deserto marroquino e a limpidez do céu mexicano. Além do olho cinematográfico de Iñarritu, há que referir Rodrigo Prieto, o director de fotografia também responsável pelas imagens de “Brokeback Mountain”. Também do filme de Ang Lee é recuperado o compositor da banda sonora: Gustavo Santaolalla. A musica, quase minimal em certos momentos, presente nesta longa-metragem é também muito importante para o clima de desespero que transpira do ecrã, banda sonora e imagem funcionam aqui como uma unidade, contribuindo para incluir o espectador no ambiente angustiante que rodeia cada personagem.

Quanto aos actores, há que apontar apenas a falta de credibilidade que transparece de Brad Pitt. Não porque o norte-americano esteja num nível interpretativo inferior (bem pelo contrário, Iñarritu consegue “espremer” muito bem todos os actores), mas porque o papel de pai com dois filhos de quase dez anos precisava de um actor com mais alguns anos. Isto apesar do óptimo trabalho de caracterização feito, merecendo destaque os pormenores de rugas e cabelos brancos.

Babel já não significa a incapacidade de comunicar. Como nos mostra Iñarritu, Babel é agora a falta de vontade de o fazer, já não estamos dispostos a ouvir o que os outros nos têm a dizer, sejam eles de culturas diferentes, vizinhos ou mesmo família. Durante as mais de duas horas e meia de filme o mexicano não se limita a explicar isto: ele faz questão de nos apresentar a cruel verdade da forma mais impressionante possível, transportando-nos de experiência angustiante em experiência angustiante até que sentimos já não aguentar mais... Até que surge a próxima. Há todo um ambiente de tensão por todo este filme, personagens que não conseguem comunicar, outras que não conseguem que os outros as ouçam. É uma experiência de humildade, o que nos propõe Alejandro González Iñarritu, um filme que vai constar nos momentos marcantes de 2007 lá para o final do ano.

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