O Filme. O Trailer. O Poster. O Video-Clip. O Actor. A Actriz. O Realizador. Cinema enquanto passatempo, paixão e vício.
publicado por Fernando Oliveira | Quarta-feira, 29 Novembro , 2006, 19:06


O primeiro Bond em quatro anos. Um novo actor na pele do agente 007. A adaptação do primeiro romance escrito por Ian Fleming e rumores de grandes interpretações vindas do local de filmagens. Tudo isto causou um aumento de expectativas para um nível estratosférico nos meses anteriores à estreia de “007- Casino Royale”.

James Bond é um agente secreto ao serviço do MI6, os serviços secretos britânicos. Após dois assassínios é elevado ao estatuto “00”, que lhe concede licença para matar. A primeira missão deste 007 consiste em vigiar um terrorista em Madagáscar, mas nem tudo corre bem e Bond decide continuar a investigação por sua conta e risco nas Bahamas, com o intuito de descobrir o alvo de uma conspiração. As investigações levam-no, por fim, a Montenegro e ao Casino Royale onde o banqueiro dos terroristas mundiais está a organizar um jogo de poker que tem como objectivo re-financiar uma organização obscura.

No inicio deste filme Bond, James Bond ainda não é 007. É este acto de limpar o passado, sem no entanto o esquecer como veremos mais à frente, que é fulcral para o sucesso da película. Bond comete erros, é imprudente e impaciente, tudo características próprias de um novato em qualquer oficio, como é o próprio James. É a destruição do mito 007 como agente infalível que cativa o espectador logo no inicio da estória. A prova? Um erro de palmatória: Bond deixa-se fotografar numa embaixada africana enquanto “silencia” um terrorista. Resultado: A superior hierárquica M dá-lhe uma descasca e envia-o de licença com vencimento. Daniel Craig prova ser o actor perfeito para interpretar o agente secreto. Com a ausência dos gadgets, o enfoque dado a este filme é a interpretação. Craig é mesmo o ponto forte do filme e a sua personagem evolui do menino-homem do início da película para a personagem com fantasmas mentais e com um passado recente que o vai marcar para o resto da vida, como se comprova no final das mais de duas horas que tem este Bond. Craig é uma das razões do sucesso do filme, mas não a unica. Eva Green é a escolha acertada para interpretar Vesper Lynd, Bond-Girl fora do normal (e mais não revelo para não estragar o filme a quem ainda não o viu). A química revelada entre Craig e Green durante um diálogo na viagem para Montenegro revela-se fundamental para o resto da estória. TODO o filme depende do bom relacionamento deste dois actores em frente à câmara e nínguem desilude.
Com a transição para um novo actor na série, os produtores resolveram apostar também num regresso às origens, no que diz respeito aos filmes de espionagem. A cena inicial a preto e branco, a viagem de comboio para Montenegro, quando podia ser feita muito facilmente de avião funciona quase como uma homenagem aos grandes clássicos de espionagem e mistério dos anos cinquenta. Apesar de se fazer tábua rasa dos vinte filmes anteriores, são várias as piscadelas de olho à franchise 007 durante o filme. O Aston Martin que James ganha num jogo de cartas, nas Bahamas ou o regresso da personagem Felix Leiter como agente da CIA, contacto habitual de Bond.

Quanto ao trabalho de Martin Campbell, não há muito a referir. O realizador não desilude, mas também não surpreende. Uma realização eficaz era mesmo o que se pedia quando o que se pede é que a atenção do espectador não seja desviada para elementos visuais espanpananantes...
Ainda uma palavra para Mads Mikkelsen. O seu Le Chiffre é um personagem bastante credível, de resto como todo o elenco de personagens, e o pormenor da asma ajuda a esta composição.
De referir o que parece ser também o regresso de uma organização obscura financiada pelas actividades financeiras de Le Chiffre à qual as personagens apenas se referem como “a nossa organização”... Ainda alguém se lembra da S.P.E.C.T.R.E.?
Como ponto menos positivo há a notar um desiquilibrio no ritmo do filme, depois do climático final do torneio de poker no Casino Royale. O momento mais tenso de todo o filme acontece mais ou menos a três quartos da duração total e, apesar de acontecimentos mais importantes se desenrolarem depois, Martin Campbell não mais consegue recuperar os momentos cinemáticos oferecidos ao espectador apenas alguns momentos antes.

O inicio do mito é confirmado apenas no final do filme, a unica vez que se ouve Daniel Craig pronunciar uma das mais famosas frases da História do Cinema e o regresso do James Bond Theme, apenas quando 007 começa a ser Bond, James Bond...
Este Bond é um dos melhores dos ultimos anos, inferior talvez apenas aos clássicos da Era Sean Connery, no entanto a discrepância final no ritmo revela-se fatal para conseguir atingir o pleno na classificação.

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